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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Por que as coisas vão de mal a pior?

Se as coisas vão de mal a pior é porque nossas vidas e nossas casas não têm sido um lugar de oração; pelo contrário: têm sido local de insultos, pornografia, adultério, falta de perdão. Infelizmente, são lugares onde não se reza. Chegamos ao ponto de ver pais com vergonha de abençoar seus filhos e, lógico, filhos que não sabem pedir a bênção dos pais.

As pessoas têm vergonha de fazer o sinal da cruz antes de comer e de expressar sua fé. Adoram a televisão: passam horas diante dela, assistindo e adorando as novelas e outros programas, cujos conteúdos entram pelos olhos, ouvidos e coração – de forma que elas vão se tornando cada vez mais tristes, decaídas, com sentimentos ruins. E não se consegue tempo para rezar um Terço, para unir a família em oração, para ler a Bíblia. Tem-se vergonha de Deus! Tem-se tempo para tudo – menos para o Senhor. Por isso as coisas vão de mal a pior.

Muitas vezes, tudo vai depender somente de você. Se os outros não querem rezar, disponha-se a fazê-lo: reze você! E saiba: além dos anjos de Deus, a Palavra nos diz que, infelizmente, existe uma multidão de espíritos malignos, de anjos decaídos – por serem desobedientes e rebeldes – que estão também ao nosso derredor tentando nos destruir, tirar nossa fé e esperança.

Vejamos o que está escrito na Carta de São Paulo aos Efésios: ''Para terminar, armai-vos de força no Senhor, da sua força onipotente. Revesti-vos da armadura de Deus para estardes em condições de enfrentar as manobras do diabo. Pois não é o homem que afrontamos, mas as Autoridades, os Poderes, os Dominadores deste mundo de trevas, os espíritos do mal que estão nos céus. Lançai mão, portanto, da armadura de Deus, a fim de que no dia mau possais resistir e permanecer de pé, tendo recorrido a tudo'' (Efésios 6,10-13).

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

* Porque cremos que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo?

Fonte: blog do Carmadelio


A Fundação da Igreja
E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus.” (Mt. 16, 18)
Como isso é claro e positivo! Jesus Cristo muda o nome de Simão, em pedra (aramaico: Kephas, significa pedra e pedro, numa única palavra, como em francês Pierre é o nome de uma pessoa e o nome do minério pedra).
Deus fez diversas vezes tais mudanças, para que o nome exprimisse o papel especial que deve representar a pessoa. Assim mudou o nome de Abrão em Abraão (Gn 17, 5), para exprimir que devia ser o pai de muitos povos.
Mudou ainda o nome de Jacob em Israel (Gn 32, 28) para significar a “força contra Deus“. Assim Jesus Cristo mudou o nome de Simão em Pedro, sobre a qual estará fundada a Igreja, sendo o seu construtor o próprio Cristo.
Em todo o trecho em que Nosso Senhor confirma S. Pedro como primeiro Papa, fica evidente que Ele se dirige, exclusivamente, a S. Pedro, sem um mínimo desvio: “Eu te digo… Tu és Pedro… Sobre esta pedra edificarei… Eu te darei… O que desatares…
S. Pedro é a pessoa a quem tudo é dirigido … é ele o centro de todo este texto.
Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: “Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim.” Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para “Kephas”, deixando claro quem seria a “pedra” visível de Sua Igreja.
A primazia de S. Pedro comprovada nas Sagradas Escrituras e na Tradição
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” [a S. Pedro] – (Mt. 16, 17-19) – Primazia de jurisdição sobre todos, pois é a ele que a sentença é dita.
O primado de S. Pedro sobre os outros fica claramente expresso quando ele: 1) preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1,1-25); 2) É o primeiro a anunciar o evangelho no dia de Pentecostes (At 2, 14); 3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (At 10, 1); 4) Acolhe na Igreja o primeiro Pagão (At 10,1); 5) Fala primeiro no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: “Então toda a assembléia silenciou“(At 15, 7-12), etc.
Todos os sucessores dos apóstolos atestam o primado de Pedro e dos seus sucessores, como, por exemplo: 1) Tertuliano: “A Igreja foi construída sobre Pedro“; 2) S. Cipriano: “Sobre um só foi construída a Igreja: Pedro“; Santo Ambrósio: “Onde há Pedro, aí há a Igreja de Jesus Cristo“.
S. Mateus enumerando os apóstolos, confirma o primado de S. Pedro: “O primeiro, Simão, que se chama Pedro“(Mt 10, 2).
No século I, o Bispo de Roma, Clemente, escrevendo aos Coríntios, para chamar à ordem os que injustamente tinham demitido os presbíteros, declara-lhes que serão réus de falta grave se não lhe obedecerem. O procedimento de Clemente de Roma tem maior importância, se considerarmos que nessa época ainda vivia o apóstolo S. João que não deixaria de intervir se o Bispo de Roma estivesse no mesmo plano dos outros bispos.
No princípio do sec. II, Santo Inácio escreve aos romanos que a Igreja de Roma preside a todas as demais.
S. Irineu diz ser a Igreja Romana a “máxima” e fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo (Heres. 3. 3. 2). Traz mais a lista dos dirigentes da Igreja Romana desde S. Pedro ate o Papa reinante no tempo dele, que era S. Eleuterio. Ao todo eram só doze. Eis a lista de modo ascensional: Eleuterio; Sotero; Aniceto; Pio; Higino; Telesfor; Xisto; Alexandre; Evaristo; Clemente; Anacleto; Lino; Pedro. (veja que S. Irineu deve ter vivido no entre o ano 100 e 200 DC). S. Jerônimo escrevendo a S. Dâmaso, Papa, diz: “Eu me estreito a Vossa Santidade que equivale a Cátedra de Pedro. E esta a pedra sobre a qual Jesus Cristo fundou a sua Igreja. Seguro em vossa cátedra eu sigo a Jesus Cristo“. Fala nisto direta ou indiretamente diversos santos e cristãos dos primeiros séculos, formando a mais universal das tradições, a mais firme convicção histórica. Só para citar alguns: S. Epifanio, Osório Pedro de Alexandria, Dionísio de Corinto, S. João Crisóstomo, Papias, etc.
Nosso Senhor: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que não desfaleça a tua fé; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Luc. 22, 31-32). Ou seja, é S. Pedro que tem a missão, dada pelo próprio messias, de ‘confirmar‘ seus irmãos. Essa missão supõe, evidentemente, o primado de jurisdição.
S. Pedro é nomeado pastor das ovelhas de Cristo. Após a Ressurreição, Nosso Senhor confia a Pedro a guarda de seu rebanho, isto é, confia-lhe o cuidado de toda a cristandade, dos cordeiros e das ovelhas: “Apascenta os meus cordeiros“, repete-lhe duas vezes; e à terceira: “apascenta as minhas ovelhas” (Jo. 21, 15-17). Ora, conforme o uso corrente das línguas orientais, a palavra apascentar significa “governar“. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade soberana a Igreja de Cristo; é ser o chefe supremo; é ter o primado. Além do que a imagem de “pastor” designa, na Sagrada Escritura, o Messias e sua obra (cf. Mq 2,13; 4,6s; Sf 3,18s, Jr 23,3; 31,19; Is 30,11; 49,9s). Ora, confiando a S. Pedro a missão de pastor, Nosso Senhor o constituiu seu representante visível na Terra.
No catálogo dos apóstolos (Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 13-16; At 1, 13), S. Pedro sempre é colocado em primeiro lugar. Em Mt. 10, 2 lê-se explicitamente que Pedro é o primeiro (“Prótos“). Ora, “prótos” tanto quer dizer o primeiro numericamente como o primeiro em dignidade e honra (v. Mt 20, 27; Mc 12, 28,31; At 13, 50; 28,17).
Em Mt. 17, 24-27, curiosamente, Nosso Senhor mandou pagar o tributo ao templo em nome Dele e de S. Pedro, demonstrando a importância daquele que seria o seu representante visível. Ele não manda que se pague em nome dos outros apóstolos, apenas de S. Pedro.
S. Pedro esteve em Roma, foi o primeiro Bispo de Roma e foi martirizado em Roma
A estadia de S. Pedro em Roma é incontestável historicamente. Sobre ela atestam Orígenes (ano 254), Clemente de Alexandria (215), Tertuliano (222), S. Irineu (202), Dionísio (171). Do século primeiro, convém destacar S. Inácio (107) e Clemente Romano (101). Esses historiadores e testemunhas são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.
Existe uma série ininterrupta de testemunhos do Século III até aos apóstolos e isso sem uma voz discorde.
Em Cartago e em Corinto, em Alexandria e Roma, na Gália como na África, no Oriente como no Ocidente, a viagem de S. Pedro a Roma é afirmada unanimemente, como fato sobre o qual não pairou nunca a mínima dúvida.
Orígenes (+ 254) diz: “S. Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo” (Com. in Genes., t. 3).
Clemente de Alexandria ( + 215) diz: “Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que oviram a pregação de Pedro” (Hist. Ecl. VI, 14).
Tertuliano (+ c. 222), por sua vez, diz: “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz” (Scorp. c. 15).
No século II abundam igualmente provas.
Santo Irineu (+ 202) escreve na sua  grande obra “contra as heresias“: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).
Dionísio (+ 171) escreve ao papa Sotero: “S. Pedro e S. Paulo foram à Itália, onde doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo” (Evas. Hist. Eccl. II 25).
Do século I convém destacar:
Santo Inácio (+ 107), Bispo de Antioquia, que conviveu longos anos com os apóstolos. Condenado por Trajano, fez viagem para Roma, onde foi supliciado, tendo escrito antes uma carta aos Romanos onde diz: “Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, e eu sou um condenado” (ad Rom., c IV).
Clemente Romano (+101), 3o sucessor de S. Pedro, conheceu-o pessoalmente em Roma. É, por isso, autoridade de valor excepcional. Eis o que escreve: “Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos Pedro e Paulo. Pedro que, pelo ódio iníquo, sofreu; e depois do martírio, foi-se para a mansão da glória. A estes santos varões, que ensinavam a santidade, associou-se grande multidão de eleitos, que, supliciados pelo ódio, foram entre nós de ótimo exemplo“.
Note que só estão citados autores do início do cristianismo, para que não fique dúvida acerca da idoneidade dos testemunhos, que poderiam ser objeto de dúvida dos protestantes… É bom revelar que nenhum protestante imparcial teve a ousadia de contestar esses historiadores.
É, portanto, um fato certo que S. Pedro esteve em Roma e foi ali martirizado sob o reinado de Nero. Nenhum historiador, até os protestantes, isto é, durante 1500 anos, o contesta; ao contrário: para todos eles é um fato notório e público.
Vamos agora provar que S. Pedro foi o primeiro Bispo de Roma:
Poderíamos citar muitas longas passagens de S. Irineu, Caio, S. Cipriano, S. Agostinho, S. Optato, S. Jerônimo, Sulpício Severo, que atestam “unânimes” o episcopado romano do príncipe dos apóstolos. Limitemo-nos a umas curtas citações:
Caio: falando de S. Vitor, Papa, diz: “Desde Pedro ele foi o décimo terceiro Bispo de Roma“(ad Euseb. 128)
S. Jerônimo: “Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos” (De Viris Ill. 1, 1).
S. Agostinho: “S. Lino sucedeu a S. Pedro” (Epist. 53)
Sulpício Severo, falando do tempo de Nero, diz: “Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo” (His. Sacr., n. 28)
S. Ireneu: “Os apóstolos Pedro e Paulo fundaram a Igreja, e o primeiro remeteu o episcopado a Lino, a quem sucedeu Anacleto e depois Clemente“.
Convém notar ainda que todos os catálogos dos Bispos de Roma, organizados segundo os documentos primitivos, pelos antigos escritores, colocam invariavelmente o nome de Pedro à frente de todos.
A Sucessão Apostólica
Agora veremos como o Papa é sucessor direto de S. Pedro, primeiro Bispo de Roma:
Primeiramente, os protestantes deveriam provar que o Papa não é sucessor de S. Pedro, todavia, como eles não tem nenhum texto histórico ou religioso que prove, eles pedem uma prova dos católicos. Eles só negam, nada podem afirmar.
Vamos analisar as Sagradas Escrituras. Lá existe não só a investidura de S. Pedro como chefe visível da Igreja, mas a investidura perpétua dos apóstolos, para serem os “enviados” de Cristo (Mt. 28, 18 – 20): “É me dado todo o poder no céu e na terra; ide pois e ensinai a todos os povos e eis que estou convosco todos os dias até a consumação do mundo“.
Que quer dizer isso?
1 – Cristo tem todo poder, é a primeira parte
2 – Cristo transmite este poder, é a segunda parte (Lembremo-nos, no mesmo sentido, da frase: “tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu”)
3 – A quem Ele transmite? Aos apóstolos.
4 – Até quando? Até a consumação do mundo
Ora, Cristo transmitiu este poder unicamente aos apóstolos presentes? Não pode ser, pois os apóstolos deviam morrer um dia, como todos os homens morrem. Ele diz: “estarei convosco até à consumação do mundo“.
Se Ele promete estar com os apóstolos até o fim do mundo, é claro que ele não está se dirigindo aos apóstolos como pessoas físicas, mas como um “corpo moral“, que deve perpetuar-se nos seus sucessores, e hão de durar atá o fim dos tempos.
Eis uma prova evidente que o bispo de Roma, que é o Papa, é o sucessor de S. Pedro e de sua “jurisdição”.
A sucessão também é observada nos primeiros cristãos, que nomeavam diáconos e bispos, transmitindo-lhes as obrigações de seus antecessores.
Jesus Cristo, fundando uma sociedade religiosa visível, que devia durar até ao fim do mundo, devia necessariamente nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: “Quem vos escuta, escuta a mim” (Mt 28, 18). Se assim não fosse, Nosso Senhor não teria podido dizer: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo“; devia ter dito que estaria apenas com S. Pedro até o fim de sua vida. Dessa forma, cumpre-se o que manda a Bíblia: “Um só senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef. 4, 5)
A lista dos primeiros Papas da Igreja
S. Pedro, 42 – 67
S. Lino, 67 – 78
S. Cleto, 78 – 91
S. Clemente, 91 – 100
Santo Evaristo, 100 – 109
Santo Alexandre I, 109 – 119
S. Sixto I, 119- 128
S. Telésforo, 128 – 139
Santo Higino, 139 – 142
S. Pio I, 142 – 150
Santo Aniceto, 150 – 162
S. soter, 162 – 170
Santo Eleutério, 170 – 186
S. Vitor, 186 – 197
S. Zefirino, 197 – 217
S. Calisto I, 217 – 222
Santo Urbano I, 222 – 230
S. Ponciano, 230 – 235
Santo Antero, 235 – 236
S. Fabiano, 236 – 251
S. Cornélio, 251 – 252
S. Lúcio I, 252 – 254
Santo Estêvão I, 254 – 257
S. Sixto II, 257 – 259
S. Dionísio, 259 – 269
S. Félix, 269 – 275
Santo Eutiquiano, 275 – 283
S. Caio, 283 – 295
S. Marcelino, 295 – 304
S. Marcelo, 304 – 310
Santo Eusébio, 310 – 311
S. Melcíades, 311 – 313
S. Silvestre I, 313 – 336
S. Silvestre batizou o imperador Constantino Magno.
O Governo da Igreja (Bispos e Fiéis)
Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus a qual santificou pelo seu próprio sangue” (At 20, 28)
Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou“. (LC 10, 16)
A Bíblia diz claramente que Jesus Cristo fundou uma Igreja sobre Pedro (Mt 16, 18), diz que estaria com ele até o fim do mundo (Mt 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt 16, 19), que esta Igreja seria coluna e firmamento da verdade (1 Tim 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt 18, 17).
Mesmo em relação à autoridade dos Fariseus e Escribas, apesar de viciados em seus erros, por serem a autoridade legítima, disse Nosso Senhor:  “Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações” (Mt 23, 2).
Nosso Senhor escolheu, entre seus inúmeros discípulos, apenas doze Apóstolos, (Mt. 10, 2-4). Instruiu-os duma maneira particular, desvendou-lhes o sentido das parábolas que as turbas não compreendiam (Mt. 13, 2) e associou-os à sua obra mandando-lhes que pregassem o reino de Deus aos filhos de Israel (Mt. 10, 5, 42).
Poucos dias antes da Ascenção, Cristo confiou aos doze Apóstolos o poder que antes lhes tinha prometido: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado, e estai certos de que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt. 28, 19-20). Portanto, conclui Boulenger, Jesus Cristo comunicou aos Apóstolos o poder – 1) de ensinar: “ide e ensinai todos os povos“, 2) de santificar, pelos ritos instituídos para este fim e, em particular, pelo batismo, 3) de governar, uma vez que os Apóstolos hão de ensinar o mundo a “observar” tudo o que Ele mandou.
A Hierarquia reconhecida na história:
1) Testemunho de Santo Irineu, argumentando contra os hereges, apresenta o caráter hierárquico da Igreja, como um ‘fato notório‘ que ninguém pode negar, como uma fundação de Cristo e dos Apóstolos. Ora, como podia reivindicar para a Igreja cristão a origem apostólica, se os seus adversários pudessem apresentar provas da fundação recente da hierarquia?
2) Testemunho de S. Policarpo, em meados do sec. II, designa os pastores como “chefes da hierarquia e guardas da fé
3) No mesmo século ainda podemos citar os testemunhos: a) o de Hegesipo que mostra as Igreja governadas pelos Bispos, sucessores dos apóstolos; b) o de Dionísio de Corinto, que escreve na sua carta à Igreja romana que a Igreja de Corinto guarda fielmente as admoestações recebidas outrora do Papa Clemente.
4) No ano 110, Santo Inácio de Antioquia, em sua Epístola aos Romanos, da Igreja de Roma como do centro da cristandade: “Tu (Igreja de Roma) ensinastes as outras. E eu quero que permaneçam firmes as coisas que tu prescreves pelo teu ensino” (Rom, IV, 1).
5) Cerca do ano de 96, S. Clemente Romano, discípulo imediato de S. Pedro e de S. Paulo, escreveu uma carta aos Coríntios, na qual nos dá da Igreja noção equivalente à de S. Ireneu, apresentando a hierarquia como a “guarda da tradição” e a Igreja de Roma com a primazia universal sobre todas as Igrejas locais.
6) Deste modo, chegamos, de geração em geração, aos tempos apostólicos.  Desde o primeiro alvorecer do cristianismo, os Apóstolos desempenharam a dupla função de dirigentes e pregadores. Escolheram Matias para ocupar o lugar de Judas (At 1, 12, 26). Instituíram diáconos nos quais delegaram parte dos seus poderes (At. 6, 1, 6).
Na prática da Igreja também fica claro o poder de governo sobre todos os cristãos. Os Apóstolos exerceram este tríplice poder: a) Poder legislativo: No Concílio de Jerusalém, impõem aos recém-convertidos “que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, das viandas sufocadas e da impureza” (At 15, 29); b) poder judiciário: S. Paulo entrega a Satanás “Himeneu e Alexandre, para aprenderem a não blasfemar” (I Tim 1, 20); c) poder penal: S. Paulo escreve aos coríntios: “Portanto, eu vos escrevo estas coisas, estando ainda longe de vós, de modo que, quando eu chegar aí, não tenha de castigar, segundo o poder a mim confiado por Deus para edificar, não para destruir” (II Cor 13, 10).
A infalibilidade Papal
Vimos que Jesus Cristo fundou uma Igreja hierárquica, conferindo aos Apóstolos e aos Bispos, seus sucessores, os poderes de ensinar, de santificar e de governar. Demonstraremos agora que Jesus ligou ao poder de ensinar o privilégio da “infalibilidade“.
Conceito: A infalibilidade é a garantia de preservação de todo erro doutrinal pela assistência do Espírito Santo. Não é simples inerrância de fato, mas de direito. Portanto, não se deve confundir a infalibilidade com a “inspiração“, que consiste no impulso divino que leva os escritores sagrados a escreverem o que Deus quer; e nem com a “revelação“, que supõe a manifestação duma verdade antes ignorada. O privilégio da Infalibilidade não faz com que a Igreja descubra verdades novas; garante-lhe somente que, devido à assistência divina, não pode errar nem, por conseqüência, induzir em erro, no que respeita a questões de Fé ou moral.
Todavia, não se confunde a “infalibilidade” com a “impecabilidade“. A Igreja nunca defendeu a tese de que o Papa não pudesse cometer pecados. O Papa é infalível quando segue as normas da infalibilidade, falando à toda a Igreja, como sucessor de S. Pedro, em matéria de Fé e Moral, definindo uma verdade que deve ser acatada por todos. Em sua vida privada – ou quando não utilizando a fórmula da infalibilidade -, o Papa pode cometer erros e até pecados.
A Existência da Infalibilidade segundo a Razão, a Revelação e a Tradição.
Argumento de razão: Não se justifica que Deus possa ter deixado os homens à sua própria sorte no tocante à doutrina. O “livre exame” protestante gera o subjetivismo e as divisões, condenadas pela Sagrada Escritura. A autoridade de um corpo de apóstolos é necessária, racionalmente, para a realização dos planos de Deus na terra, sob pena de aceitarmos a tese de que Deus não guia seu povo.
Argumento histórico:
Somos chegados ao campo positivo da história. Afinal, o que Jesus devia fazer, segundo a razão, tê-lo-ia feito? Terá instituído uma autoridade viva e infalível encarregada de guardar e ensinar a sua doutrina?
O primeiro ponto, de que Nosso Senhor instituiu uma Igreja hierárquica, com chefes a quem concedeu o poder de ensinar, já está demonstrado anteriormente. Resta agora examinar o segundo ponto, no qual provaremos que o poder de ensinar comporta o privilégio da “infalibilidade”.
a) Nos textos da Escritura:
A S. Pedro, em especial, prometeu Jesus Cristo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Igreja)” (Mat. 16, 18); e a todos os Apóstolos prometeu, por duas vezes, enviar-lhes o Espírito de Verdade (Jo. 14, 15; 15, 26) e ficar com eles até ao fim do mundo (Mat 28, 20). Estas promessas significam claramente que a Igreja é indefectível, que os apóstolos e os seus sucessores não poderão errar quando ensinarem a doutrina de Jesus; porque a assistência de Cristo não pode ser em vão, nem o erro estar onde se encontra o Espírito de verdade;
b) No modo de proceder dos Apóstolos:
Do seu ensino se depreende que tinham consciência de ser assistidos pelo Espírito Santo. O decreto do Concílio de Jerusalém termina com estas palavras: “Assim pareceu ao Espírito Santo e a nós” (At. 15, 28). Os Apóstolos pregam a doutrina evangélica “não como palavra de homens, mas como palavra de Deus, que na verdade o é” (1Tes 2, 13), a que é necessário dar pleno assentimento (II Cor 10, 5) e cujo depósito convém guardar cuidadosamente (1 Tim 6, 20). Além disso, confirmam a verdade de sua doutrina com muitos milagres (At 2, 43 etc): prova evidente de que eram intérpretes infalíveis da doutrina de Cristo, de outro modo Deus não a confirmaria com o seu poder;
c) Na crença da antigüidade cristã:
Concedem os nossos adversários que a crença na existência dum magistério vivo e infalível existia já no século III. Basta, portanto, aduzir testemunhos anteriores.
Na primeira metade do século III, Orígenes, aos hereges que alegam as Escrituras, responde que é necessário atender à tradição eclesiástica e crer no que fio transmitido pela sucessão da Igreja de Deus. Tertuliano, no tratado “Da prescrição“, opõe aos hereges o “argumento da prescrição” (condenando o que contraria o ensinado pelos apóstolos) e afirma que a regra de fé é a doutrina que a Igreja recebeu dos Apóstolos.
Nos fins do século II, S. Irineu, na carta a Florino e no “Tratado contra as heresias“, apresenta a Tradição apostólica como a sã doutrina, como uma tradição que “não é meramente humana“. Donde se segue que não há motivo para discutir com os hereges e que estão condenados pelo fato de discordarem desta tradição.
Pelo ano de 160, Hegesipo apresenta, como critério da Fé ortodoxa, a conformidade com a “doutrina” dos Apóstolos “transmitida” por meio dos Bispos, e por esse motivo redige a lista dos Bispos. Na primeira metade do século II, Policarpo e Papias apresentam a doutrina dos Apóstolos como a única verdadeira, como uma regra segura de Fé. Nos princípios do mesmo século, temos o testemunho de Santo Inácio. Afirma este santo que a Igreja é “infalível” e que a incorporação nela é necessária a quem se quer salvar.
Conclusão: tanto através da razão como da história, provamos que o poder de ensinar, conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo à Igreja docente, traz consigo o privilégio da “infalibilidade“, isto é, que a Igreja não pode errar quando expõe a doutrina de Jesus Cristo.
Agora devemos analisar sobre quem recai a “infalibilidade
Pelo exposto, fica claro que a “infalibilidade” é privilégio daqueles a quem compete “ensinar“, isto é, os Apóstolos e, de modo especial, a S. Pedro e seus sucessores.
A infalibilidade do colégio apostólico provém, portanto: a) da missão conferida a “todos os apóstolos” de “ensinar todas as nações” (Mat 28, 20); b) da “promessa de estar com eles” “até à consumação dos séculos” (Mat 28, 20) e de lhes “enviar o consolador, o Espírito Santo que lhes há de ensinar toda a verdade” (Jo, 14, 26). Estas passagens mostram com evidência que o privilégio da “infalibilidade” foi concedido ao “corpo docente” tomado coletivamente.
A sucessão desse poder deve ser entendida no sentido de que o colégio apostólicos, atualmente composto pelos bispos, é ‘infalível’ não individualmente em cada bispo, mas no conjunto deles.
No caso de S. Pedro e seus sucessores, a infalibilidade é pessoal. Provaremos isso com argumentos tirados dos textos evangélicos e da história.
O argumento escriturístico deriva dos mesmo textos que demonstram o primado de S. Pedro: “Tu és Pedro…“, pois é incontestável que a estabilidade do edifício lhe vem dos alicerces. Se. S. Pedro, que deve sustentar o edifício cristão, pudesse ensinar o erro, a Igreja estaria construída sobre um fundamento inseguro e já se não poderia dizer “as portas do inferno não prevalecerão contra ela“.
Depois, com o “Confirma fratres” (“confirma os irmãos“), Nosso Senhor assegurou a Pedro que pedira de modo especial por ele, “para que sua fé não desfaleça” (Luc 22, 32). É evidente que esta prece feita em circunstâncias tão solenes e tão graves (o momento da paixão de Nosso Senhor) não pode ser frustrada.
Finalmente, com o “Pasce Oves” (apascenta as minhas ovelhas), foi confiada a Pedro a guarda, o governo, de todo o rebanho. Ora, não se pode supor que Jesus Cristo tenha entregue o cuidado do seu rebanho, colocando S. Pedro como Pastor, a um pastor que pudesse desencaminhar as ovelhas eternamente, ensinando o erro.
O Argumento histórico da infalibilidade de S. Pedro:
A crença da Igreja não se manifestou da mesma forma em todos os séculos. Houve, na verdade, certo desenvolvimento na exposição do dogma e até no uso da infalibilidade pontifícia; mas nem por isso o dogma deixa de remontar aos primeiros tempos, e de fato já o encontramos em germe na Tradição mais afastada, como se demonstra pelo sentir dos Padres da Igreja e dos concílios, e pelos fatos:
No século II, S. Irineu afirmava que todas as Igrejas se devem conformar com a de Roma, pois só ela possui a verdade integral.
S. Cipriano dizia que os Romanos estão “garantidos na sua fé pela pregação do Apóstolo e são inacessíveis à perfídia do erro” (o apóstolo dos romanos é S. Pedro).
S. Jerônimo, para pôr termo às controvérsias que afligiam o Oriente, escreveu ao Papa S. Dâmaso nos seguintes termos: “Julguei que devia consultar a este respeito a cadeira de Pedro e a fé apostólica, pois só em vós está ao abrigo da corrupção o legado dos nossos pais“.
S. Agostinho diz a propósito do pelagianismo: “Os decretos de dois concílios relativos ao assunto foram submetidos à Sé apostólica; já chegou a resposta, a causa está julgada“, “Roma locuta est, causa finita est“.
O testemunho de S. Pedro Crisólogo não é menos explícito: “Exortamo-vos, veneráveis irmãos, a receber com docilidade os escritos do santo Papa da cidade de Roma, porque S. Pedro, sempre presente na sua sede, oferece a fé verdadeira aos que a procuram“.
O que fica dito anteriormente acerca do primado do Bispo de Roma, aplica-se com a mesma propriedade ao reconhecimento de sua infalibilidade.
No século II, o papa Victor excomungou Teódoto que negava a divindade de Cristo, com uma sentença tida por todos como definitiva. Zeferino condenou os Montanistas, Calisto os Sabelianos, e, a partir destas condenações, foram considerados como hereges. Em 417, o papa Inocêncio I proscreveu o pelagianismo, e a Igreja reconheceu o decreto como definitivo. Em 430, o papa Celestino condenou a doutrina de Nestório, e os Padres do Concílio de Éfeso seguiram a sua opinião.
O concílio de Calcedónia (451) recebeu solenemente a célebre carta dogmática do Papa Leão I a Flaviano, que condenou a heresia de Eutiques, proclamando unanimemente: “Pedro falou pela boca de Leão“. Do mesmo modo os Padres do III Concílio de Constantinopla (680) aclamaram o decreto do Papa Agatão que condenava o monotelitismo, dizendo: “Pedro falou pela boca de Agatão“.
Como se vê, desde os primeiros séculos a Igreja romana é reconhecida como o “centro da fé” e como a “norma segura da ortodoxia“. Quanto mais avançamos, tanto mais explícitos são os termos que nos manifestam a universalidade desta crença, proclamada como dogma no I Concílio Vaticano.
Finalmente, podemos afirmar que nunca um Papa, na história da Igreja, proclamou, segundo a fórmula da infalibilidade, um erro doutrinário.
Unidade da mesma Igreja
Apenas com um chefe visível, infalível, se pode cumprir a unidade do “corpo místico de cristo”.
Em relação à doutrina:
1) “Quem não está comigo é contra mim“(Mt 12,30)
2) “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos” (Ef 4, 3-6)
3) “Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste“(Jo 17,20-21).
4) “Recomendo-vos, irmãos, que tomeis cuidado com os que produzem divisões contra a doutrina que aprendestes. Afastai-vos deles” (Rm 16, 17).
5) “Se alguém vos anunciar um evangelho diferente, seja execrado, isto é, seja excomungado“(G. 1,7-9).
Em relação ao culto:
1) “Porque há um só pão, um só corpo somos nós, embora muitos, visto participarmos todos do único pão” (1Cor 10,17)
2) “A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma“(At 4, 32)
3) “Esforçai-vos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef. 4,3).
Em relação à unidade de Governo:
1) “Irmãos, conjuro-vos que sejais sempre perfeitamente unidos num só sentimento e num mesmo pensar” (1 Cor 1,10)
2) “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Estas tenho de reunir, e elas ouvirão a minha voz. E então haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo. 10,16; Mt 16, 15-16).
O próprio fato de S. Paulo ter procurado a unidade na questão da circuncisão deixa patente a existência de uma Igreja una. No concílio que decidiu essa questão, em Jerusalém, foi S. Pedro quem falou primeiro e quem deu a última palavra sobre a questão: “Então toda a assembléia silenciou“(At 15, 7-12), obedecendo ao Chefe do Colégio Apostólico.
Nas Sagradas Escrituras, é só folhear os Atos dos Apóstolos e verificar o crescimento da Igreja (a mesma e una) desde o início até os dias de hoje.
A Igreja cresceu rápida, veloz, ao ponto que S. Paulo pôde compará-la com “um edifício vastíssimo, tendo os apóstolos por alicerce e Cristo como pedra angular.” (Ef. 2, 20)
Tertuliano se atrevia a escrever no seu Apologético, dirigido ao imperador romano: “Somos de ontem, e já enchemos as cidades, as ilhas, os castelos, os acampamentos, as aldeias e os campos; só deixamos vazios os vossos templos. Se nos retirassem, o império ficaria deserto“.
A Igreja de Cristo vai crescendo e se espalhando, “multitudo ingens“, diz Tácito, falando do tempo de Nero (Anais 15, 44), formando uma “imensa multidão“, até que, afinal, dominando e vencendo a tirania dos imperadores pagãos, logre o reconhecimento oficial, com o reinado de Constantino Magno, primeiro imperador cristão.
Foi nesse tempo, em 325, que se reuniu o primeiro concílio dos bispos católicos, em Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos, sob a presidência de Ósio, bispo de Córdova, assistido de dois legados do Papa (de Roma), S. Sivestre.
Portanto, a história e a bíblia são claros ao narrar a expansão da mesma Igreja, fundada por Nosso Senhor sobre S. Pedro, em unidade.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Todo mundo aprende na escola que a Igreja Católica foi a grande inimiga da ciência.



[...] Chega como um prêmio aprender que a Igreja Católica pode ter tido um papel positivo no desenvolvimento das ciências, não é mesmo? Porque todos nós somos ensinados desde o berço no exato contrário... Na escola, na mídia, nos filmes, os cientistas são os bravos mártires contra a Igreja ignorante que quer suprimir as descobertas deles.

Bem, você poderia ser desculpado por esta visão se tivesse vivido cem anos atrás, pois naquela época o livro dominante no assunto era escrito por um sujeito chamado Andrew Dickson White - eu o mencionei no primeiro [artigo] - que escreveu um livro chamado "A História da Guerra da Ciência contra a Teologia na Cristandade". Este livro se tornou o trabalho definitivo no assunto, embora ele esteja cheio de absurdos!

Na verdade, no livro de White, você lê que a Igreja Católica ensinava que a Terra era plana! Mas vimos no [artigo] anterior que não há o menor pingo de evidência disso. Porém, White, ansioso por retratar a Igreja como tola, atrasada e ridícula, simplesmente repetiu o que outros historiadores haviam dito, sem se importar em investigar. Esta era a qualidade do seu livro. Desde então, o livro de White tem sido desmentido tão dramaticamente que vocês imaginariam que já deveríamos estar ouvindo algo como: "Ei! A Igreja Católica, afinal das contas, teve um papel importante nas ciências!"; mas, ao invés disto, só ouvimos os grilos... Não há ansiedade para obter a verdade nessa questão. Eu pergunto: por quê?

Há muitos historiadores modernos que, à diferença do professor White, estão vivos e trabalhando agora mesmo! E eles estão concluindo que, na verdade, a Igreja teve pelo menos algum tipo de papel positivo e alguns acadêmicos chegam até a dizer que a Igreja tinha certas ideias que foram indispensáveis ao desenvolvimento das ciências. Isto é o oposto do que ouvimos, não é? Mas temos acadêmicos dizendo isso o tempo todo: Thomas Goldstein, Toby Huff, A. C. Crombie, Edward Grant, David Lindberg, prof. Heilbron de Berkeley e muitos outros.

Então, o que dizem eles? E como ousam dizer isso?!! "Será que eles não sabem que a Igreja não passa de uma opressora dos gênios do mundo?" Vamos então ver algumas das afirmações que esses novos historiadores estão fazendo e, aliás, nem todos eles são católicos; alguns são católicos, outros não. Eu fiz questão de consultar historiadores da ciência que não são católicos - alguns são até anticatólicos - para mostrar que isso é de verdade, que isso não é um bando de católicos escrevendo livros para dar uma boa aparência à Igreja. Isso é o consenso entre os profissionais hoje.

Um dos princípios mais importantes que a Igreja Católica legou ao desenvolvimento das ciências vem de um versículo bíblico! Um versículo bíblico que foi um dos mais citados durante toda a Idade Média. Esse versículo é Sabedoria 11,21. Esse versículo nos diz que Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso. Tudo bem, então isso não parece ser tão explosivo assim, mas juro que é! "Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso". Como as pessoas interpretaram isso?

Elas interpretaram que o Universo criado por Deus é ordenado, faz sentido, é compreensível para a nossa mente, é matemático, é ordenado de acordo com padrões: medida, quantidade e peso. Há um aspecto matemático no universo! Santo Agostinho, por exemplo, disse: "Deus é como um grande geômetra. Ele é um grande praticante de geometria". Então, para qualquer [leitor] aí que odeia geometria, odeia matemática: Santo Agostinho está implicitamente reprovando você, pois de fato a matemática é uma linguagem que Deus usa para ordenar e moldar este universo que Ele nos deu.

Assim, a Tradição cristã, através desse versículo do livro da Sabedoria, que foi citado durante toda a Idade Média, amplia dramaticamente uma tradição existente no Ocidente, que data do século VI a.C., do grande matemático e filósofo pré-socrático Pitágoras. No século VI a.C., Pitágoras disse: "Sabe do que é feito o universo? Não é feito de ar, água ou terra" - como alguns de seus contemporâneos diziam - "mas de números! Este é o constituinte fundamental do nosso universo! Não são coisas físicas, mas números, matemática. A matemática está em toda parte". E essa Tradição cristã, elaborada sobre Sabedoria 11,21, tirou da penumbra a ideia de Pitágoras e realmente desenvolveu toda uma civilização em torno dela. Isso é muito importante!

De fato, mesmo velhos cientistas que não tenham refletido sobre a questão viveram em uma civilização onde o ordenamento do mundo era dado como certo. Então, por exemplo, vamos considerar o cavalheiro que nos desenhou a primeira tabela periódica dos elementos químicos, Dmitri Mendeleev: ele acreditava tanto que o universo era ordenado que, quando começou a dispor os elementos, na tabela periódica dos elementos, em que consta todas as partes constituintes do nosso mundo listadas em linhas, e uma série de linhas formando colunas, descobriu que os elementos estavam próximos na tabela, possuíam características semelhantes... Então ele chegou ao elemento nº 21 e havia uma lacuna ali! Ele não conseguiu encontrar um elemento que ocupasse aquele espaço, mas ele disse: "As relações continuam funcionando se eu pular o nº 21 e seguir adiante". Ele estava tão convencido de que algo deveria entrar ali, tão convencido de que Deus não poderia nos ter dado um universo desordenado, que ele não podia acreditar que vivia em um universo onde havia uma grande lacuna na tabela periódica. Tinha que haver alguma coisa que coubesse ali; então ele previu: "Algum dia descobriremos o elemento que se encaixa ali". Puxa! Que audácia ele teve ao dizer: "É óbvio que acharemos algo para preencher a lacuna na minha tabela!" E depois o que encontraram? Dez anos depois, o elemento "escândio" foi descoberto. Onde ele entra? Exatamente no número atômico 21!

Então essa é uma característica central na nossa civilização. E, na verdade, o método científico não pode ser seguido a menos que vocês acreditem que o universo é ordenado, pois o que vocês fazem no método científico? Do que se trata? O método científico consiste em juntar dados sobre o mundo ao seu redor e depois estudar esses dados, buscando padrões, tentando entendê-los, e depois desenvolver hipóteses sobre os dados - por que acredito que assim e assado está ocorrendo? - e, depois, projetar experimentos para confirmar ou impugnar várias das minhas hipóteses. Vocês não podem seguir esses passos se não acreditam que o universo é ordenado, pois precisamos ter certezar, ter confiança de que se fizermos o mesmo experimento múltiplas vezes, sob as mesmas condições, iremos obter sempre os mesmos resultados. Se vivêssemos em um universo desordenado, não teríamos o direito de esperar por isso. Talvez se soltarmos algo seis vezes, irá apenas cair no chão; mas talvez na sétima vez ele vá para o beleléu! Como saberemos? Se não vivemos em um universo ordenado, não podemos esperar aquilo e se não vivemos em um universo ordenado, não podemos sequer começar a fazer ciência; não podemos nem começar a encontrar padrões no universo se não esperamos que eles existam. Isso é essencial para a ciência!

E, de fato, Albert Einstein até disse: "É um milagre que o universo seja ordenado! Nós não temos direito algum de presumir o contrário" Mas, realmente, muitas civilizações não presumiram isso; elas não o presumiram. Por exemplo, a antiga Babilônia: os babilônios não consideravam o universo ordenado, mas completamente caótico. A ciência poderia ter começado entre os antigos babilônios? A pergunta já se responde por si só, não?

Então esses são os pontos essenciais: que o universo é ordenado e matemático. Porém, isso não significa que o universo é tão ordenado que Deus não pode fazer milagres que vão violar de algum modo a ordem universal. É claro que, como católicos, acreditamos em milagres, que Deus pode fazer milagres. É claro que acreditamos! Mas entendam o que isso significa: vocês só podem reconhecer um milagre se ele ocorrer sobre um fundo de ordem! Se vivêssemos em um universo completamente caótico, como poderíamos reconhecer um milagre? Tudo seria milagre! Tudo seria louco e caótico, não seguiria lei alguma. Então nós reconhecemos os milagres de Deus porque Ele os faz a partir de um universo de ordem.

Santo Anselmo, muito utilmente, esclareceu esse ponto. Ele disse que Deus tem o seu "poder absoluto" - ou "potentia absoluta" para vocês, latinistas - e o seu "poder ordenado" - ou "potentia ordinata" -, ou seja, é claro que Deus tem o poder bruto de levar aquele objeto para o beleléu, mas Ele também tem o seu poder ordenado, pelo qual Ele se comporta de acordo com as leis que construiu no universo. Não seria próprio da dignidade do nosso Deus comportar-se de um modo tão arbitrário; Ele [coerentemente] não pode fazer isso; Ele [coerentemente] tem que se comportar de um mesmo modo, ser consistente com as suas promessas feitas a nós. E, com efeito, o funcionamento do universo é uma dessas promessas. Assim, esperamos encontrar ordem no universo e é por ordem que os cientistas vão procurar.

Mas, como eu disse, nem todas as civilizações foram capazes de fazer isso, de ter esse "insight". Nós temos esse "insight" como certo: o universo faz sentido; nós podemos encontrar relações matemáticas nele. Mas nem toda civilização teve esse "insight". E uma dessas civilizações que não teve [esse "insight"] foi a civilização islâmica.

Vejam! Há muito o que podemos dizer sobre a contribuição islâmica à civilização e até às ciências. Por esemplo, em algumas das chamadas ciências aplicadas, como medicina e ótica, o Islão deu grandes contribuições para essas áreas. Porém, nas ciências mais teóricas, a ciência islâmica nasceu - nos dizeres do Pe. Stanley Jaki - natimorta. Parecia que ela estava indo para algum lugar e, de repente, BOOOM!!! Acabou! E, hoje, é claro, a civilização islâmica é muito atrasada cientificamente. Mas por que isso? Por que é que a civilização islâmica sofreu tal devastação em termos de ciências? Por uma razão que envolve essa questão da habilidade de ver o universo como sendo ordenado. A civilização islâmica não pôde fazer isso, pois se vocês fossem dizer que o universo é ordenado de acordo com certas leis que precisam que ser observadas, isso seria um insulto a Allah, que pode se comportar de maneira tão arbitrária quanto queira. O que lhes parece uma lei pode apenas ser um de Seus hábitos, que Ele pode descontinuar a qualquer tempo. [...]

Se vocês recordarem do meu primeiro [artigo] lembrarão que mencionei que o emprego mais deprimente do mundo seria o de professor de estudos medievais tentando dizer às pessoas que a Idade Média não foi tão ruim. Bom, acho que um bom concorrente ao emprego mais deprimente seria o de historiador das ciências tentando argumentar que, na verdade, a Igreja teve, e muito, uma influência positiva nas ciências. Nem os seus colegas cientistas irão acreditar! Muito menos o público em geral...

Mas, novamente, vocês têm um monte de evidências para juntar e livros e mais livros estão sendo escritos hoje; mas, mesmo assim, vocês não conseguem atingir o público em geral. Uma das razões porque escrevi um livro chamado "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental" foi que eu temia que todos esses estudos maravilhosos que os professores estão fazendo, que acabam defendendo a Igreja, não estivessem chegando ao público em geral. As pessoas ainda aprendem o absurdo de que a Igreja se opõe à ciência. Então temos que ir e estudar esse negócio, para que possamos nos defender melhor.

Mas deixem-me falar-lhes uma coisa: hoje, se vocês estivessem fazendo um curso de História da Ciência - e algumas universidades o têm como disciplina autônoma - se vocês estivessem em um curso desses e dissessem: "A religião e a ciência têm sido inimigas ao longo dos tempos", vocês seriam considerados como se tivessem escrito um trabalho da 4ª Série Primária e ninguém levaria isso a sério.

Voltemos então à discussão que estávamos tratando, quando eu dizia que o "insight" central que permite uma penetração na ciência, no Ocidente, é a visão católica de Deus como sendo ordenado; uma visão que é derivada principalmente, mas não exclusivamente, daquele versículo de Sabedoria 11,21, de que Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso. E vimos que Santo Agostinho interpretou que Deus era um grande geômetra. Outros pensadores cristãos também desenvolveram sobre isso. Na Escola Catedrática de Chartres, por exemplo, na França, houve muitas elaborações sobre esse crítico versículo de Sabedoria.

Mas, para começar, vejam bem: o que é "Escola Catedrática"? Carlos Magno, que foi o Imperador do Ocidente entre 768 e 814, estabeleceu que as várias catedrais deveriam ter escolas anexadas a elas. E essas escolas catedráticas, em alguns casos, evoluíram para as nossas primeiras universidades. Mas iremos discutir isso em um [artigo] futuro...

Pois bem. Na Escola Catedrática de Chartres, aqueles estudiosos se detiveram em Sabedoria 11,21 e interpretaram que, se quisermos entender o universo, devemos entendê-lo "quantitativamente". É uma maneira disfarçada de dizer que, se quisermos entender o universo, devemos entendê-lo através da matemática. Essa é uma ideia extraordinariamente moderna! A Escola Catedrática de Chartres estava realmente em seu auge, talvez no século XII, e aí teve essa fantástica ideia moderna: que, ao menos em algum nível, o universo pode e deve ser entendido matematicamente; se quisermos entender seu funcionamento e prever como se comportará no futuro, temos de entendê-lo através da matemática. E eles interpretaram Sabedoria 11,21 como significando isso: que o universo é matemático e nós o entendemos dessa forma.

Como a Escola Catedrática de Chartres difundiu essa ideia amplamente, de que o universo é matemático e deve ser entendido através da matemática, ela foi ganhando cada vez mais crédito de ter ajudado a lançar a revolução científica séculos antes desta última ter-se iniciado no século XVII.

Além disso, os acadêmicos de Chartres davam como certo que Deus era ordenado e que havia inscrito leis naturais no mundo, e que se quisermos entender como o mundo funciona, devemos primeiro usar a nossa razão natural. E só quando a nossa razão natural entra em colapso é que dizemos que estamos diante de um milagre, de algo sobrenatural; e então referimos isso a Deus.

Mas os acadêmicos de Chartres estavam convencidos de que Deus nos deu a nossa razão por uma... razão! Não somos vacas, nem tamanduás, nem formigas... Temos a habilidade de pensar e de construir conclusões e relações de causa e efeito. Por que Deus nos deu a razão se não foi para usá-la? E nos tornamos verdadeiros seres humanos somente quando usamos o dom distinto que só os seres humanos possuem: a razão.

Assim, por exemplo, um acadêmico de Chartres disse: "É através da razão que somos homens, pois se virássemos nossas costas à fantástica beleza racional do universo em que vivemos, deveríamos merecer ser retirados dele, como um hóspede desdenhoso da casa em que foi acolhido".

Outro acadêmico de Chartres disse: "Eu nada tiro de Deus. Ele é o Autor de todas as coisas, exceto do mal. Mas a natureza com que Ele dotou Suas criaturas (=a razão) executa todo um esquema de operações e estas também se voltam à Sua glória, uma vez que foi Ele quem criou esta mesma natureza". Em outras palavras: Deus nos criou com uma natureza racional, então Lhe damos glória quando apelamos àquela natureza racional.

Mas isso é bem o contrário do que as pessoas ouvem falar da Igreja Católica, não é? Acho que a maioria das pessoas está sob a crença de que a Igreja ensina que não se deve usar a razão humana, de que a razão humana é de algum modo enganosa ou algo a ser desprezado, inclusive. Mas, ao contrário, aqui temos uma das escolas mais bem sucedidas e importantes de toda a Idade Média, nos dizendo que devemos usar a nossa razão se quisermos entender o modo como o universo funciona.

Mas, daqui, retorno ao ponto em que Chartres enfatiza a natureza matemática do universo e, ao fazê-lo, deu à luz uma ideia central moderna: a de que se vocês quiserem entender as relações físicas e como o universo físico funciona, vocês têm que explicá-lo matematicamente. Vocês só dominam o universo quando desvendam os seus mistérios através da linguagem matemática. E é por isso que Isaac Newton era tão impressionante para as pessoas do século XVIII, quando com uma única equação matemática ele pôde dar conta de todo o movimento no universo. Aquela foi uma explicação extraordinariamente elegante de um problema aparentemente complicado. Todos os diferentes tipos de movimento puderam ser reduzidos a uma equação. E, assim, no sentido em que estamos falando, ele entendeu o universo! Porque ele pôde pegar fenômenos díspares, vários tipos de movimento e dar conta deles com uma equação matemática simples e elegante. Então ele está simplesmente fazendo frutificar a missão que a Escola Catedrática de Chartres deu aos acadêmicos e cientistas do Ocidente.

Agora, um outro problema que foi resolvido em grande parte pela Escola Catedrática de Chartres vem lá do mundo antigo, da antiguidade grega e romana, pois em um tempo tão recuado assim, as pessoas acreditavam que os corpos celestes que vocês veem lá fora eram, realmente, de algum modo, "divinos". Eles deveriam ter algum tipo de atributos divinos ou, talvez, terem almas de algum modo; ou eles seriam compostos de matéria imperecível que operava de acordo com leis diferentes daquelas do nosso mundo terrestre.

Isso era dado como certo por muitas razões, por exemplo: no mundo antigo era dado como certo que um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, mas um corpo em movimento só pode estar em movimento se algo o estiver forçando ao movimento. Então, em outras palavras, o mundo antigo admitiu como certo que o estado natural das coisas é estar em repouso. O movimento precisa ser explicado. Mas aí eles olham para o céu e veem os planetas se movendo, mas não há nenhuma grande mão os empurrando! Então, o que os faz se mover? Eles deveriam estar em repouso! O que os faz se mover? Então, eles tiveram de postular todo tipo de teorias: talvez eles tenham almas e as almas lhes dão movimento; ou são divinos e isso explica seu movimento; ou, mais tarde, propôs-se que anjos podiam estar os empurrando...

Havia todo tipo de teorias para explicar isso, mas era pressuposto certo que deveriam haver leis diferentes governando o movimento no espaço exterior e governando o movimento na Terra. Pois o que acontece? Por que eles ficam se movendo? "Eu não consigo adivinhar! Essas coisas devem ser fundamentalmente diferentes das coisas da nossa Terra". Isaac Newton mais tarde mostrou que, na verdade, as mesmas leis de movimento estavam em ação no céu e na Terra. Isso foi uma ruptura! Mas não foi algo que simplesmente veio de uma impressão.

Quem realmente começou a pensar nisso pela primeira vez? Foi Terry de Chartres, outro acadêmico da Escola Catedrática de Chartres, no século XII. O que Terry disse? Ele disse que na realidade, o que se tem no universo e no espaço exterior são coisas que são compostas do mesmo tipo de matéria que nós temos aqui na Terra. Porém, ele não pôde explicar por que elas orbitavam ou por que elas pareciam se mover sozinhas. Ele não havia antecipado as leis de movimento de Newton. Mas, por dizer que as coisas lá de cima não são fundamentalmente diferentes das coisas daqui de baixo, ele pavimentou o caminho para uma conclusão central da ciência moderna.

Thomas Goldstein é um historiador recente da história da ciência. O que ele tem a dizer sobre a Escola Catedrática de Chartres? Ele diz: "Em um período de 15 a 20 anos, em meados do século XII, um punhado de homens estava conscientemente empenhando-se para lançar a evolução da ciência ocidental e empreendeu todo passo significativo que era necessário para alcançar aquele fim".

Goldstein até chegou a dizer que, algum dia, Terry de Chartres será visto como um dos grandes fundadores da ciência moderna. Vocês conseguem acreditar nisso? Este é um historiador escrevendo já na nossa geração! E não só ele dá crédito à Igreja por ela ter dado um importante ímpeto ao desenvolvimento da ciência, como ainda volta até o século XII para identificar alguém de quem ninguém nunca ouvira falar, para dizer: "Ele pode ser um dos maiores arquitetos da ciência moderna"!

Isso está se tornando absolutamente comum entre os historiadores da ciência. Sim, Richard Dawkins está escrevendo seus livros; Daniel Dennet continua escrevendo seus livros, assim como outros cientistas ateus... Mas são historiadores das ciências que consistentemente ficam cada vez mais favoráveis à Igreja.

Agora, o segredo, a questão é: como eu posso levar essas informações ao público em geral? E, como eu digo: essas informações não vão se espalhar a menos que os católicos comecem a espalhá-las eles mesmos. Mas essa é apenas a ponta do iceberg, porque o que discutimos aqui [neste artigo] é muito teórico: a ideia de que o universo é ordenado, construído por leis físicas fixas e assim por diante. Tudo isso é muito teórico! Mas, no próximo [artigo] vamos descer aos detalhes, já que da próxima vez iremos ver quantos padres foram "pioneiros científicos". Não é suficiente dizer: "Vejam! Todos estes cientistas por acaso são católicos!" Ora, poderia ser apenas uma coincidência eles serem católicos. Mas quando vocês estão falando de padres que ocuparam um papel tão elevado na vida da Igreja, recebendo as ordens sagradas e tendo aquela vocação sagrada, e eles serem grandes praticantes das ciências, sendo parabenizados pelos Papas por fazerem isso, então com certeza a Igreja Católica não pode ser inimiga da Ciência.